Disco traz participações de nomes como Célia Sampaio, Marina Peralta, Mis Ivy, Elaine Alves e CAYARÌ
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| Regiane Cordeiro |
| Créditos: Wesley Nardini |
Celebrando uma década de protagonismo na cena reggae/sound system brasileira, a cantora e compositora Regiane Cordeiro anuncia para o dia 6 de março de 2026 o lançamento de seu primeiro álbum solo: Raiz do Mundo. O trabalho, que estará disponível no Spotify e demais plataformas, é um registro de amadurecimento musical e uma reafirmação de sua identidade como mulher preta e artista independente.
Do norte de MG, o legado da família musical da artista
O título do álbum, Raiz do Mundo, é uma homenagem direta à origem de Regiane, que cresceu em um verdadeiro berço musical no norte de Minas Gerais. A artista é parte da Família Cordeiro, uma linhagem de "gente fazedora de arte" composta por seu pai, irmãos e sobrinhos — todos multi-instrumentistas e cantores que mantêm viva a tradição sonora da região há muitos anos.
Essa herança familiar não é apenas biográfica, e aparece como base estética do disco. Regiane buscou traduzir o afeto e a força que carrega no sangue através de escolhas artísticas raras no reggae convencional. “Trago por exemplo a viola caipira para esse disco. O cancioneiro popular mineiro adora essa raiz, e eu achei importante trazer, então convidei Moreno Overá para trazer o toque da viola aos arranjos de Luizinho Nascimento”, explica Regiane.
Além disso, na faixa “Chão Vermelho”, a cantora reverencia seus antepassados e familiares, que ela descreve como a "pedra fundamental" para sua existência e arte. A participação da lendária Célia Sampaio nesta música sela o encontro entre a maturidade de sua história familiar e o reggae nacional.
"African Voice": voz como identidade
Tecnicamente, o álbum destaca o estilo African-voice de Regiane. Longe de ser apenas uma técnica aplicada, a artista afirma que essa sonoridade já mora nela, em sua escuta e ancestralidade. Durante as gravações, ela buscou manter a "textura e o grão" da voz, recusando-se a polir excessivamente a emoção para preservar um caráter ritualístico e cru.
Além disso, o disco promove um encontro histórico de vozes femininas, com Marina Peralta em "Vida Importa", celebrando a confiança mútua, Mis Ivy em "A Gira", unindo a potência do Dancehall brasileiro à força ancestral, CAYARÌ, mulher indígena que traz cantos em sua língua nativa para a faixa "Era das Máquinas", falando de cura e natureza, e Elaine Alves em uma nova versão de "Mulheres Reais", honrando as que abriram os caminhos.
O produtor Wagner Bagão assina o dub magistral de "Mulheres Reais Dub", feito para bater forte nas caixas de som.
Lançado estrategicamente no mês das mulheres, Raiz do Mundo é um convite ao pertencimento. Para Regiane Cordeiro, entender a própria raiz é o que permite a expansão. "Se eu pudesse resumir em uma frase, seria: voltar à raiz é uma forma de encontrar poder".
Sobre Regiane Cordeiro
Com mais de uma década de protagonismo na cena Reggae e Sound System, Regiane Cordeiro é uma voz de resistência, ancestralidade e brasilidade. Natural do norte de Minas Gerais e herdeira da Família Cordeiro — linhagem de multi-instrumentistas e cantores que há gerações movimenta a arte regional —, a artista carrega em seu DNA o afeto e a força do cancioneiro popular mineiro. Sua trajetória é marcada pela técnica do African-voice, uma expressão vocal ritualística e potente. Ao longo de sua caminhada, colaborou com grandes ícones da música, dividindo projetos e palcos com nomes como Célia Sampaio (a dama do reggae maranhense), Anelis Assumpção, Lazzo Matumbi, Marina Peralta, Mis Ivy, Elaine Alves, Carlos Dafé, Black Mantra, Dub Judah, Vibronics, entre outros grandes nomes da música brasileira e internacional.
A artista já circulou por importantes palcos e festivais como Afropunk São Paulo, Festival Queremos!, Lollapalooza, Coala Festival e Rototom Sunsplash (Espanha).
Em 2026, Regiane inaugura uma nova fase com seu primeiro álbum solo, Raiz do Mundo. O trabalho funde o peso do reggae e do dub com suas referências ancestrais como pessoa criada no solo mineiro, reafirmando sua identidade como mulher preta e guardiã de um legado musical que une tradição, espiritualidade e contemporaneidade.