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Alzheimer: sinais de perda de memória podem passar despercebidos e atrasar diagnóstico

20 de Outubro de 2026

Especialistas alertam para a importância da prevenção e do acompanhamento familiar, enquanto o envelhecimento da população impulsiona o mercado de cuidadores no Brasil

Esquecer compromissos, repetir perguntas e apresentar dificuldades para realizar tarefas cotidianas são situações frequentemente associadas ao envelhecimento. Entretanto, quando essas alterações se tornam persistentes e comprometem a autonomia, podem indicar problemas cognitivos que precisam ser investigados. O desafio é ainda maior entre idosos que vivem sozinhos ou não possuem uma rede de apoio capaz de perceber as primeiras mudanças.

Para Cristiane Belmonte, psicóloga, neuropsicóloga, psicanalista e diretora da Belmonte Saúde, a presença da família pode fazer diferença na identificação dos sintomas. “Quando existe uma família por perto, alguém nota que o pai está repetindo as mesmas perguntas, que a mãe esqueceu de pagar uma conta que sempre pagou, que a rotina mudou. Sem esse olhar próximo e contínuo, pequenas alterações de memória, humor ou comportamento passam despercebidas”, explica.

Nem todo esquecimento, porém, significa Alzheimer. Depressão, alterações do sono, deficiências nutricionais e efeitos de medicamentos também podem comprometer a memória. Por isso, a investigação médica é fundamental para identificar as causas e orientar o tratamento.

A prevenção também merece atenção. Segundo Thais Bento Lima da Silva, gerontóloga, doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP e parceira científica do Método Supera, a Comissão The Lancet de 2024 identificou 14 fatores potencialmente modificáveis associados ao risco de demência, incluindo hipertensão, diabetes, sedentarismo, isolamento social e tabagismo.

“A mensagem não é que exista uma receita capaz de evitar a demência. O que essas recomendações mostram é que existem fatores sobre os quais podemos atuar ao longo da vida, embora nem todos dependam exclusivamente de escolhas individuais”, destaca Thais.

Mercado de cuidadores cresce no Brasil

O envelhecimento da população também amplia a procura por assistência especializada. Segundo levantamento do Sebrae, a abertura de micro e pequenas empresas de serviços de cuidadores cresceu 74% entre 2020 e 2025, com 57,2 mil novos CNPJs registrados em 2025.

A Geração de Saúde, fundada pelo empresário Bruno Butenas, acompanhou esse movimento. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o número de idosos atendidos mensalmente passou de aproximadamente 100 para mais de 300, enquanto sua rede de cuidadores capacitados cresceu de 200 para mais de 700 profissionais.

“A longevidade é uma grande conquista da sociedade, mas ela também exige preparo. As famílias estão percebendo que cuidar de uma pessoa idosa não significa apenas estar ao lado dela”, afirma Bruno Butenas.

O cuidado também precisa alcançar pessoas em situação de vulnerabilidade. O produtor cultural e ativista Heitor Werneck, que desenvolve ações de apoio a pessoas em situação de rua, relata encontrar indivíduos com dificuldades para recordar informações básicas. “Muitas não sabem o nome ou esqueceram os familiares. Você percebe nitidamente que existem traumas e uma história por trás daquela pessoa”, conta.

Para Carol Braga, professora e CEO do Foco Medicina Vestibular, preparar os futuros profissionais para essas realidades é essencial. “A formação de um futuro médico começa também na maneira como esse jovem aprende a olhar para as pessoas e para a sociedade ao seu redor”, afirma.

Embora o Alzheimer ainda não tenha cura, o diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento, avaliar tratamentos e organizar uma rede de apoio. Reconhecer os sinais e buscar orientação profissional são passos importantes para preservar a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes.

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