Cultura - Música

Viva a música!!!!

21 de Maio de 2015

Por Cau Marques 

Música é arte, quanto a isso não há o que discutir. Música, em teoria, é melodia, ritmo, harmonia, e na prática é inspiração, prazer, que toca na alma e na vida das pessoas... É poesia, é linda. Música é... Ok. Para tudo! Não vamos questionar o que a música é, mas no que ela se transformou. É indiscutível que, assim como o futebol, a música atrai multidões de fãs e, certamente, muito dinheiro! Não há o que discutir sobre o valor de um trabalho, de sua aceitação e apreciação pelo público, sobre o reconhecimento, a fama conquistada com muito, muito trabalho, o que inclui uma vida itinerante, o afastamento da família por longos períodos, o desgaste físico e mental. Mas, afinal, é assim que se conquistam os sonhos, não é?

 
 

Bom... infelizmente, nem sempre é assim que funciona, principalmente aqui no Brasil. A música, que arrasta multidões e lota casas de shows e até estádios, vem sofrendo um processo de banalização, de empobrecimento artístico em detrimento do lucro desmedido. É uma indústria, na qual há uma gerência que se preocupa em contabilizar os lucros e em garantir que os espaços midiáticos se voltem exclusivamente para aquilo que eles querem que seja ouvido pelo grande público.

Esse trabalho tem sido tão bem realizado nos últimos anos, que quase ninguém questiona a falta de opções que a mídia oferece em termos musicais. Aceitamos, quase que por osmose, músicas encomendadas, composições de empresários e de quem não está preocupado em respeitar a arte, mas usufruir dos rendimentos.

É evidente, em qualquer tipo de produção artística, que os investimentos em divulgação são os responsáveis pelos grandes sucessos, pela aproximação do grande público e sua aceitação. Transformam as composições em trilha sonora da vida das pessoas, embalam festas, encontros, trabalho e a difícil locomoção em transportes públicos. E isso é bom! Muito bom! Não fosse a questão de que grande parte dessas composições não foram feitas por músicos ou mesmo produtores musicais, mas por aqueles que desejam umhit lucrativo e apenas isso.

Não sou contra ganhar dinheiro com música, muito pelo contrário, mas como profissional da música há quase 20 anos, sinto muito, muito mesmo, a falta de boas composições, de boa música. E não é que faltem profissionais capazes desta proeza no mercado fonográfico atual, mas o domínio dos apadrinhamentos, dacompra de espaços de divulgação de forma a monopolizar o acesso, de não deixar opções, de garantir que o público se contentará com o pouco, tem afastado de ótimos profissionais as chances de se mostrar também ao grande público. É incrível dizer isso em época de internet, na qual nos é possível acessar e comprar, baixar músicas do mundo todo. Mas, o Brasil, ainda está entregue ao discurso favorito dos empresários de que: é isso que o povo quer...

O problema com a baixa qualidade das músicas no Brasil não é algo isolado, pois ele retrata a cultura como um todo e sabemos que somos bastantes carentes no que diz respeito ao desenvolvimento desse quesito por aqui. Aceitar o que a indústria impõe através do que toca nas rádios ou do que é veiculado na TV é algo natural para grande parte da população, que sai reproduzindo sons sofríveis de músicas mal escritas, mal tocadas e mal cantadas, transformando-as naquilo que os donos do dinheiro querem: sucessos milionários.

Enquanto isso, grandes músicos, cantores, compositores, que não foram agraciados por afortunados padrinhos, lutam com suas vozes e belas composições neste vasto país.

E eu, aqui, como músico e apaixonado pela arte, pela boa música, de gosto eclético, mas com determinado nível de exigência e que deseja ter muitos momentos importantes da vida marcados por boas músicas, mas carente de sentir o vibrar das notas, nuances e pausas que compõem uma boa música, pergunto: Quais bandas, duplas, cantores e músicas de sucesso que ouvimos nos últimos 5 anos teremos orgulho ou lembraremos como algo realmente marcante daqui outros 5 ou 6 anos? 

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